Mostrar mensagens com a etiqueta Poesia. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Poesia. Mostrar todas as mensagens

segunda-feira, 11 de maio de 2015

A procura




"Andei pelos caminhos da Vida, 
caminhei pelas ruas do Destino à procura do meu Signo.
Bati à porta da Fortuna mandou dizer-me que não estava.
Bati à porta da Fama ela não me quis receber.
Procurei a morada da Felicidade a vizinha da frente avisou-me que ela se mudou sem deixar endereço.
Procurei a morada da Fortaleza e ela mandou-me entrar:
deu-me vestes novas,
perfumou-me os cabelos,
fez-me beber do seu vinho.
Acertei no meu caminho."

Cora Coralina


segunda-feira, 27 de outubro de 2014

A vida é linda





A vida é linda, mesmo doendo
nos desencontros
e despedidas,
mesmo sangrando
em malogrados,
áridos hortos,
searas maduras
de sofrimento.
Chegar ao porto
da vida finda
cantando sempre,
sonhando ainda. 


Helena Kolody (1912-2004)


quarta-feira, 16 de abril de 2014

Entre o Luar e o Arvoredo







 Entre o luar e o arvoredo,
Entre o desejo e não pensar
Meu ser secreto vai a medo
Entre o arvoredo e o luar.
Tudo é longínquo, tudo é enredo.
Tudo é não ter nem encontrar.
Entre o que a brisa traz e a hora,
Entre o que foi e o que a alma faz,
Meu ser oculto já não chora
Entre a hora e o que a brisa traz.
Tudo não foi, tudo se ignora.
Tudo em silêncio se desfaz.

 
 
Fernando Pessoa

terça-feira, 12 de março de 2013

"Não temo o abismo da tua alma: Também sou feito de precipícios..."



Neste pequeno livro de poesia encontramos versos como estes, simples e cheios de magia. 

Quando convivemos com pessoas no dia a dia que até vêm de vez em quando a nossa casa e para quem nos esmeramos a cozinhar, ficamos agradavelmente surpreendidas quando nos deparamos com um livro escrito por elas nas nossas mãos!

Muitos parabéns ao escritor. ADOREI!

"Creio no Sonho,
No Segredo...
Fecho os olhos,
Adormeço
E não sinto medo."


domingo, 25 de novembro de 2012

Balada de Neve


Batem leve, levemente,
como quem chama por mim.
Será chuva? Será gente?
Gente não é, certamente
e a chuva não bate assim.
É talvez a ventania:
mas há pouco, há poucochinho,
nem uma agulha bulia
na quieta melancolia
dos pinheiros do caminho…
Quem bate, assim, levemente,
com tão estranha leveza,
que mal se ouve, mal se sente?
Não é chuva, nem é gente,
nem é vento com certeza.
Fui ver. A neve caía
do azul cinzento do céu,
branca e leve, branca e fria…
. Há quanto tempo a não via!
E que saudades, Deus meu!
Olho-a através da vidraça.
Pôs tudo da cor do linho.
Passa gente e, quando passa,
os passos imprime e traça
na brancura do caminho…
Fico olhando esses sinais
da pobre gente que avança,
e noto, por entre os mais,
os traços miniaturais
duns pezitos de criança…
E descalcinhos, doridos…
a neve deixa inda vê-los,
primeiro, bem definidos,
depois, em sulcos compridos,
porque não podia erguê-los!…
Que quem já é pecador
sofra tormentos, enfim!
Mas as crianças, Senhor,
porque lhes dais tanta dor?!…
Porque padecem assim?!…
E uma infinita tristeza,
uma funda turbação
entra em mim, fica em mim presa.
Cai neve na Natureza
e cai no meu coração.
Augusto Gil

quinta-feira, 1 de novembro de 2012

O Tejo corre no Tejo






Tu que passas por mim tão indiferente,
no teu correr vazio de sentido,
na memória que sobes lentamente,
do mar para a nascente,
és o curso do tempo já vivido.

Não, Tejo,
não és tu que em mim te vês,
- sou eu que em ti me vejo!

Por isso, à tua beira se demora
aquele que  a saudade ainda trespassa,
repetindo a lição, que não decora,
de ser, aqui e agora,
só um homem a olhar para o que passa.

Não, Tejo,
não és tu que em mim te vês,
- sou eu que em mim te vejo!

Um voo desferido é uma gaivota,
não é o voo da imaginação;
gritos não são agoiros, são a lota...
Vá não faças batota,
deixa ficar as coisas onde estão...

Não, Tejo,
não és tu que em mim te vês,
- sou eu que em mim te vejo!

Tejo desta canção, que o teu correr
não seja o meu pretexto de saudade.
Saudade tenho, sim, mas de perder,
sem as poder deter,
as águas vivas da realidade!

Não, Tejo,
não és tu que em mim te vês,
- sou eu que em mim te vejo!


Alexandre O'Neill in, Feira Cabisbaixa




sábado, 14 de abril de 2012

Florbela Espanca





“O meu mundo não é como o dos outros, quero demais, exijo demais; há em mim uma sede de infinito, uma angústia constante que eu nem mesma compreendo, pois estou longe de ser uma pessoa; sou antes uma exaltada, com uma alma intensa, violenta, atormentada, uma alma que não se sente bem onde está, que tem saudade… sei lá de quê!”