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segunda-feira, 19 de agosto de 2013

Coincidência





Deparei-me por acaso com este segundo e terceiro volumes da trilogia de "Os olhos amarelos dos crocodilos" que comprei na feira do livro. Gostei de ler o primeiro mas confesso que este me surpreendeu bastante; não só porque o li na língua original, mas também porque se passa aqui no 16 (16ème arrondissement) onde me encontro neste momento, pelo que é quase como se sentisse a história ao vivo.




"Quand je pense à tous les livres qu'il me reste encore à lire, j'ai la certitude d'être encore heureux."

Jules Renard

sexta-feira, 9 de agosto de 2013

Gosto de ler em francês





Também gosto de ler Françoise Bourdin. A sua escrita é leve e corrente o que torna os seus livros agradáveis e fáceis de ler.


segunda-feira, 5 de agosto de 2013

Pas mal!






"On serait bien heureux si on pouvait s'abandonner soi-même comme on peut abandonner les autres."

Madame du DEFFAND


sábado, 20 de julho de 2013

Vou agorinha mesmo p´ra Paris e acabei de ler este livro.




"A Mentira" é a história real de Julie Metz, uma nova-iorquina sofisticada presa numa pequena vila onde reina a lei do silêncio – onde todos, menos ela, conhecem o segredo de Henry. E é a história de uma mulher que tudo fará para descobrir a verdade, e para recuperar – para si, para a filha – a felicidade perdida.


"Quero viver sem medo do fracasso e do sucesso, embora nunca venha a deixar de me preocupar e afligir. Pelo menos, quero ensinar à minha filha uma coisa que aprendi com tanta dor: Prepara-te o melhor que puderes, esforça-te, mas prepara-te para não estares preparada. Na verdade, é melhor não nos prendermos demasiado à ideia de estarmos sempre preparados, ainda que estando preparados. Talvez «estar preparado» pudesse ser redefinido como «prestar atenção»."



sábado, 13 de julho de 2013

Dos livros que li nestes dias





Sinopse

Este é um romance sobre uma mentira, mas também sobre a amizade e o amor, o dinheiro e a traição, o medo e a ambição.

A acção desenrola-se em Paris. Duas irmãs. Iris é uma mulher muito bonita, rica, elegante e sofisticada, mas vive desencantada com a vida e com o seu casamento. Joséphine é uma intelectual, historiadora, muito menos bonita do que a irmã e com uma vida bem mais difícil. Casada, tem duas filhas, vive nos subúrbios e trabalha para pagar as contas.
Certo dia, num jantar, Iris faz-se passar por escritora. Presa na sua mentira, convence a irmã a escrever o livro que ela própria assinará. Abandonada pelo marido, cheia de dívidas, Joséphine submete-se, como sempre, aos caprichos da irmã. Mas esta é uma decisão que vai mudar o destino destas duas mulheres.
A escritora francesa Katherine Pancol traça com mestria um retrato real e vivo de mulheres que tentam triunfar na carreira profissional, na vida familiar e alcançar o reconhecimento social. Mas que, por baixo desta aparente vida de sucesso, escondem uma profunda infelicidade, falta de confiança e frustração.

Os Olhos Amarelos dos Crocodilos é uma verdadeira lição de vida. Este romance, um verdadeiro best-seller em Espanha e França, dá-nos a conhecer as mulheres que somos, as que queremos ser, as que nunca seremos e as que talvez sejamos um dia. Mulheres à procura de um caminho na vida, em busca de si próprias e à descoberta de novos amores.

  "Outrora, ela escrevera. Cenas que queria filmar. Parara tudo quando se casara com Philippe.
   Se quisesse, poderia recomeçar a escrever... Se tivesse coragem, é claro... Porque é preciso coragem para ficar fechada longas horas a triturar as palavras, a desenhar-lhes pequenas patas peludas ou asas para que possam andar ou voar."





«Na escuridão atrás de mim, ela cheirava a suor, luz do sol e baunilha, e, nessa noite de pouco luar, eu pouco mais podia ver além da sua silhueta, mas, mesmo no escuro, consegui ver-lhe os olhos - esmeraldas intensas. E não era só linda, era também uma brasa.»

Alaska Young. Lindíssima, esperta, divertida, sensual, transtornada... e completamente fascinante. Miles Halter não podia estar mais apaixonado por ela. Mas, quando a tragédia lhe bate à porta, Miles descobre o valor e a dor de viver e amar de modo incondicional. Nunca mais nada será o mesmo.


domingo, 30 de junho de 2013

O mercador de livros malditos




"Um manuscrito interdito.Um monge assassinado.Um enigma temporal."

"Imaginem uma atmosfera semelhante à de O Nome da Rosa: uma biblioteca poeirenta, monges encapuzados e passos que ressoam por entre a humanidade. Este é o fabuloso mundo de Marcello Simoni."


 "Antes de sair, porém, Ignazio abraçou o velho. Surpreendido com o gesto, o bibliotecário resmungou, mas logo retribuiu o gesto.
 - Pensa bem no que eu te disse, Álvarez - recomendou Asclépio. - Não cedas ao orgulho nem à ambição de saberes mais do que o devido. É um homem de ciência quem to diz. Nascemos para estar com os pés na terra. Animais feitos de carne, é o que somos! Não criaturas imortais. Certas portas devem permanecer fechadas... E depois fica atento. Li em qualquer lado que a haoma, quando usada em doses excessivas, pode revelar-se letal."




terça-feira, 25 de junho de 2013

É muito agradável ler Jojo Moyes





"Jojo Moyes entrelaça habilmente as vidas de três mulheres, Joy, Kate e Sabine, que terão de reconciliar-se com os segredos da família."

"Sabine ficou bastante satisfeita com o convite, não só porque lhe dava uma desculpa para passar a tarde fora (embora ela e a avó agora fossem amigas, as refeições naquela longa mesa continuavam a ser uma experiência penosa), mas também porque além de fazer parte da sua própria família, estava a começar a integrar-se na de Thom e Annie. Sendo filha única, de uma mãe periodicamente solteira, aquela era a primeira família que via de perto; uma família que parecia interminável e ramificada, mas íntima o suficiente para que cada um soubesse o que os outros faziam; uma família cujos membros entravam e saíam das casas uns dos outros com descontracção, sabendo simplesmente qual era o seu lugar."


quinta-feira, 13 de junho de 2013

Um livro divertido; passa-se um bom momento com ele.





"Uma vida preenchida, de serviço aos outros. Uma vida à qual tentava conferir um sentido positivo. Uma vida da qual gostaria de orgulhar-se. Contudo, toda aquela hiperactividade não passava de uma evasão, de um desejo de se sentir preenchida, como a borboleta nocturna que, obstinadamente, se gruda aos candeeiros. Nunca pousar, nunca deixar de bater as asas, correndo o risco de esgotar todas as energias, correndo o risco de se queimar. Nunca dispor de tempo para confessar o que sabia: que necessitava de uma bússola que a orientasse, de um braço sobre os seus ombros, de punhos que a protegessem."


"Agora, os dois aviões estavam lado a lado, em pistas paralelas, com partidas para destinos radicalmente opostos.
Começaram a ganhar velocidade ao mesmo tempo, fazendo vibrar o alcatrão sob as rodas do trem principal.
No momento em que se cruzaram, uma espécie de interferência sacudiu os dois aparelhos, recordando aos passageiros que, afinal de contas, o amor se separa da morte apenas por três letras."



segunda-feira, 3 de junho de 2013

Feira do Livro




Lá fui eu, ontem, à feira do livro. Fiquei-me por estes que veêm na foto. Claro que se mais dinheiro houvesse no mealheiro mais se teria gasto; mesmo assim já não foi mau. Até porque estes foram só para mim! Como diz o velho ditado camoniano, mudam-se os tempos mudam-se as vontades, o mesmo acontece com os gostos, neste caso os literários. Lembro-me há dois anos atrás de ter estado na feira e ter procurado mais os pavilhões de literatura "cor de rosa". Apesar de não ter desgostado do período cor de rosa, sinto-me muitíssimo bem com esta nova "cor".

domingo, 2 de junho de 2013

Um tipo de leitura ao qual não estava habituada e que me seduziu!





Sinopse

Num país sem tradição memorialísticas  no qual as poucas obras que existem representam a justificação de acções pretéritas, Maria Filomena Mónica procura apresentar a sua vida sem glorificações nem lamurias  Não presume fornecer a Verdade, mas apenas a sua verdade: outros terão olhado as pessoas, os acontecimentos e as peripécias de que aqui nos fala de forma diferente. Num país conservador, católico e hipócrita, o tom cru deste livro poderá chocar. Mas a intenção da autora não foi essa, mas sim a de tentar perceber, e dar a perceber, uma vida, uma família e um país, entre 1902, data do nascimento da sua avó, e 1976, o ano em que, após uma estadia no estrangeiro, regressou a Portugal.


Depois de acabar de ler  "Bilhete de Identidade" tropecei por acaso no livro de Joaquim Vieira, "A Governanta". Muito simples e directo. Gostei.




D. Maria, a sombra de Salazar

Nunca se tornou formalmente a primeira-dama de Salazar, mas, enquanto este liderou o país a partir de São Bento, foi Maria de Jesus quem geriu as questões práticas da vida do ditador, por quem nutriu muito mais do que simples admiração.

quinta-feira, 16 de maio de 2013

Um livro diferente e interessante






Quando Charlotte é assaltada e fratura a anca, a sua filha Rose não pode acompanhar o patrão, Lord Peters, a Manchester, por isso a sobrinha dele, Marion, tem de ir no seu lugar; Marion envia ao amante uma mensagem escrita que é intercetada pela mulher… e isto é apenas o início de uma cadeia de acontecimentos que irão alterar várias vidas.

"E esta foi a história. Estas foram as histórias de Charlotte, Rose e Gerry, Anton, Jeremy e Stella, Marion, Henry, Mark, de todos eles. As histórias tão caprichosamente desencadeadas porque, certo dia, algo aconteceu a Charlotte na rua. Porém, claro que este não é o final da história, das histórias. Um final é um dispositivo artificial; nós gostamos de finais, são satisfatórios, convenientes e têm um propósito. No entanto, o tempo não tem um final e as histórias sucedem-se ao ritmo do tempo. De igual forma, a teoria do caos não pressupõe um final; o efeito em cadeia continua, inquebrável. Estas histórias não têm um final; elas seguem em diferentes direcções, cada uma no seu próprio caminho."



domingo, 5 de maio de 2013

OH!





Acabei de ler o último volume da trilogia de Langani. Ficou a saber-me a pouco! Que pena não haver mais!

"Passado nas regiões selvagens e imprevisíveis do Quénia, Luz Efémera é uma história de coragem, amizade, traição e sacrifício redentor."

"- Doze anos - disse Hannah suavemente. - Faz amanhã doze anos que tive a minha grande festa de aniversário no acampamento do Anthony em Samburu. Parece que foi há uma eternidade. Aconteceu tanta coisa e todos nós enfrentámos privações e acontecimentos trágicos. Mas, apesar de tudo, nós as três, eu, a Sarah e a Camilla, cumprimos a promessa que fizemos em Langani, de que o Piet foi testemunha. Quando fizemos um corte na mão e misturámos o nosso sangue para nos tornarmos irmãs.
 - Repetimos esse voto na praia de Watamu, lembram-se? Na véspera de Ano Novo. A última antes da independência - disse Sarah. - Antes de sermos mandadas para fora.
 - Nessa noite estavas connosco, Anthony. - Hannah estendeu o braço para lhe pegar na mão. - Era tudo tão incerto, as pessoas não sabiam se deviam abandonar o país ou continuar a ter fé suficiente para adoptarem a cidadania. Éramos todos muito jovens e, no entanto, tínhamos a certeza de que íamos ficar, apesar de termos sido obrigadas a passar algum tempo longe daqui. E tínhamos razão. Este país continua a ser o lugar a que pertencemos. É a nossa casa."

" - Não existe nenhuma resposta fácil - disse o padre Andrew. - O sofrimento é muitas vezes incompreensível. Viver em sofrimento torna-nos humildes. Torna-nos mais benevolentes, se assim deixarmos. Extingue as impurezas. Ensina-nos a aceitar-nos e a preocuparmo-nos uns com os outros nas nossas fraquezas porque uma coisa é certa... mais cedo ou mais tarde, estaremos por baixo. Todos nós precisamos de consolação e apoio. A primeira coisa, minha filha, é não julgar. Nunca poderemos saber ao certo o que leva as pessoas a fazer o que fazem. Só Deus compreende o que nunca poderemos ver. Deixe o juízo com ele. Ele sabe como moderá-lo com o amor. E não se julgue também com demasiada severidade. Recorda-se da história da mulher que ia ser morta à pedrada?"


sábado, 27 de abril de 2013

E venha de lá o terceiro!




Adorei este segundo volume que é a sequela de Irmãs de Sangue.

" Ler Um Fogo Eterno é como estar sentado numa varanda com um gin tónico na mão a contemplar o pôr-do-sol em África."
                                                                                                                          The times


"- Foi aqui que fizemos a nossa promessa há quatro anos - disse ela. - Cortámos as mãos e fizemos um juramento de sangue em como olharíamos sempre umas pelas outras. E agora que a Camilla voltou, pensei que podíamos renovar esses votos. Não precisamos de tornar a abrir buracos nas palmas das mãos mas podemos pronunciar as palavras. E sei que o Piet ainda as ouve e que está connosco hoje.
 - Prometo nunca esquecer, ser eternamente fiel à nossa amizade e dar apoio às minhas irmãs sempre que precisarem de mim. - Sarah recordava-se exactamente das palavras como se as tivesse proferido no dia anterior. Deram as mãos, enquanto Hannah e Camilla repetiam o voto, e depois permaneceram enlaçadas, à sombra da figueira a que Piet amarrara o seu cavalo e assistira ao juramento inicial. Num dia ensolarado que agora parecia ter tido lugar noutra vida."



quinta-feira, 11 de abril de 2013

Noivas de Guerra





O capitão James Gould chega à Nápoles da Segunda Guerra Mundial com a missão de desencorajar os casamentos entre soldados britânicos e as suas belas namoradas italianas. Quando se torna demasiado bom no seu trabalho, as jovens locais conseguem que ele empregue Livia, uma rapariga de uma aldeia do Vesúvio, como sua cozinheira, na esperança de que as suas qualidades fantásticas na cozinha – para já não falar na sua beleza – o distraiam.
Sob a sua influência, James deixa de se preocupar com assuntos tão pouco importantes como as noivas de guerra, o mercado negro e a corrupção da máfia, entre outros, pois o tempo passado na cozinha pode ser tão divertido e excitante como o próprio banquete da vida!
Mas quando o Vesúvio entra em erupção, destruindo a aldeia de Livia, ele tem de escolher entre obedecer a ordens ou ao coração.

"Nápoles estava tranquila, iluminada por uma lua enorme e, enquanto percorria cautelosamente as ruas empedradas, James sentiu uma ponta de afecto pelo sítio; imprevisível, exasperante, mas capaz de inesperadas surpresas, como pôr uma rapariga adormecida na moto de um tipo a meio da noite e, como se não bastasse, a meio de uma guerra."

Fácil de ler e interessante "quanto baste". 


segunda-feira, 1 de abril de 2013

Dos livros que li nestes dias





Emily Benedict vai para Mullaby, na Carolina do Norte, na esperança de resolver pelo menos alguns dos mistérios que rodeiam a vida da mãe. Porém, assim que Emily entra na casa onde a mãe cresceu e trava conhecimento com o avô, cuja existência sempre desconhecera, descobre que os mistérios não se resolvem em Mullaby, são um modo de vida: o papel de parede muda de padrão para se adequar ao estado de espírito do ocupante do quarto, luzes inexplicáveis dançam pelo quintal à meia-noite, e uma vizinha, Julia Winterson, cozinha esperança sob a forma de bolos, desejando não apenas satisfazer a gulodice da cidade mas também reacender o amor que receia ter perdido para sempre. Mas porque desencorajam todos a relação de Emily com o atraente e misterioso filho da família mais importante de Mullaby? Ela veio para a cidade a fim de obter respostas, mas tudo o que encontra são mais perguntas. Um bolo de colibri poderá trazer de volta um amor perdido? Haverá mesmo um fantasma a dançar no quintal de Emily? As respostas não são nunca o que esperamos, mas nesta pequena cidade de adoráveis desadaptados, o inesperado faz parte do dia-a-dia.

"Emily recordava-se de que a mãe nunca a deixava ir ao centro comercial devido à competição descarada que aí se fomentava para se ter algo tão bom ou melhor que o vizinho do lado. Dulcie sempre afirmara que a roupa não devia nunca ser tida em conta na determinação do valor de uma pessoa."

"Era natural, supunha, ficar tensa perto dele. Os nossos pares, quando somos adolescentes, serão para sempre os guardiães do nosso embaraço e arrependimento. Era uma das grandes injustiças da vida o facto de podermos progredir nela e sermos felizes e realizados, mas assim que encontramos um colega de liceu tornamo-nos de imediato a pessoa que éramos na altura, não a pessoa que somos no momento."


Os Enamoramentos


María Dolz, uma solitária editora de livros, admira à distância todas as manhãs aquele que lhe parece ser o "casal perfeito": o empresário Miguel Desvern e a sua bela esposa Luísa. Esse ritual quotidiano permite-lhe acreditar na existência do amor e enfrentar o seu dia de trabalho. Mas um dia Desvern é morto por um mendigo mentalmente perturbado e María aproxima-se da viúva para conhecer melhor a história. Passa então de espectadora a personagem, vendo-se cada vez mais envolvida num enredo em que nada é o que parecia ser e em que cada afecto pode converter-se no seu contrário: o amor em ódio, a amizade em traição, a compaixão em egoísmo. A história, narrada na primeira pessoa por María, sofre as oscilações dos seus estados de espírito, dos seus "enamoramentos", evidenciando que todo o relato é tingido pela subjectividade de quem o conta. Ao mesmo tempo, a presença incómoda dos mortos na vida dos que ficam é o tema que perpassa este romance à maneira de um motivo musical com as suas variações. Para desdobrar e reverberar esse mote, Javier Marías entrelaça no seu enredo referências a obras clássicas da literatura, como "Os três mosqueteiros", de Dumas;" Macbeth", de Shakespeare e, sobretudo, o romance "O coronel Chabert", de Honoré de Balzac. Sustentando com maestria uma voz narrativa feminina, o autor eleva aqui a um novo patamar a sua habilidade para nos envolver no mundo interior das suas personagens. Com 'Os Enamoramentos', obra de plena maturidade literária, Javier Marías  reafirma-se como um dos maiores ficcionistas da nossa época.

"Tarde para quê, pergunto eu. A verdade é que não sei. É que só quando alguém morre é que pensamos que já se fez tarde para qualquer coisa, para tudo - e mais ainda para o esperarmos -, e nos limitamos a dar-lhe baixa. Aos nossos próximos também, ainda que nos custe muito mais e os choremos, e que a sua imagem nos acompanhe em espírito enquanto andamos pelas ruas e em casa, e embora acreditemos durante muito tempo que havemos de nos acostumar. Mas sabemos desde o princípio - desde que morrem - que já não devemos contar com eles, nem sequer para as coisas mais insignificantes, para um vulgar telefonema ou para uma pergunta pateta («Deixei aí as chaves do carro? A que horas saíam hoje as crianças?»), para nada. Nada é nada. Na realidade é incompreensível, porque pressupõe que temos certezas e isso é avesso à nossa natureza: a de que alguém já não tornará a chegar, nem a dizer, já nunca mais dará um passo - nem para se aproximar nem para se afastar -, não mais olhará para nós nem desviará a vista. Não sei como resistimos a isso, nem como recuperamos. Não sei como nos esquecemos de vez em quando, quando já passou o tempo e nos afastou deles, que ficaram imóveis."


"Sim, há os que não suportam a desgraça. Não por serem frívolos ou cabeças ocas. Sofrem-na quando os atinge, claro está, como qualquer um certamente. Mas estão prontos a sacudi-la depressa, e sem pôr grande empenho, por uma espécie de incompatibilidade. Faz parte da sua natureza serem leves e risonhos e não verem prestígio no sofrimento, ao contrário da maior parte da pesada humanidade, e a nossa natureza permite-nos sempre consegui-lo, porque quase nada a pode torcer nem quebrar. Talvez a Luísa fosse um mecanismo simples: chorava quando a faziam chorar e ria quando a faziam rir, e uma coisa podia seguir-se a outra sem solução de continuidade, ela respondia ao estímulo que calhasse. Ainda por cima, a simplicidade não está de relações cortadas com a inteligência. Eu não tinha dúvidas de que ela possuía esta última."

Gostei muito de ler este livro; foi o melhor que li este ano.



terça-feira, 26 de março de 2013

Gostei


Barcelona, 1957. Daniel Sempere e o amigo Fermín, os heróis de A Sombra do Vento, regressam à aventura, para enfrentar o maior desafio das suas vidas. Quando tudo lhes começava a sorrir, uma inquietante personagem visita a livraria de Sempere e ameaça revelar um terrível segredo, enterrado há duas décadas na obscura memória da cidade. Ao conhecer a verdade, Daniel vai concluir que o seu destino o arrasta inexoravelmente a confrontar-se com a maior das sombras: a que está a crescer dentro de si.
Transbordante de intriga e de emoção, O Prisioneiro do Céu é um romance magistral, que o vai emocionar como da primeira vez, onde os fios de A Sombra do Vento e de O Jogo do Anjo convergem através do feitiço da literatura e nos conduzem ao enigma que se esconde no coração do Cemitério dos Livros Esquecidos.

"Naquele dia, ao ver o meu amigo a beijar a mulher que amava, dei por mim a pensar que aquele momento, aquele instante roubado ao tempo e a Deus, valia todos os dias de miséria que nos haviam levado até ali e outros tantos que nos esperavam ao sair de regresso à vida, e que tudo quanto era decente e puro neste mundo e tudo por que valia a pena continuar a respirar estava naqueles lábios, naquelas mãos, no olhar daqueles dois afortunados que, soube, ficariam juntos até ao fim das suas vidas."




terça-feira, 12 de março de 2013

"Não temo o abismo da tua alma: Também sou feito de precipícios..."



Neste pequeno livro de poesia encontramos versos como estes, simples e cheios de magia. 

Quando convivemos com pessoas no dia a dia que até vêm de vez em quando a nossa casa e para quem nos esmeramos a cozinhar, ficamos agradavelmente surpreendidas quando nos deparamos com um livro escrito por elas nas nossas mãos!

Muitos parabéns ao escritor. ADOREI!

"Creio no Sonho,
No Segredo...
Fecho os olhos,
Adormeço
E não sinto medo."


domingo, 3 de março de 2013

Estava a ver que nunca mais chegava ao fim


Com deslumbrante estilo e impecável precisão narrativa, o autor de A Sombra do Vento transporta-nos de novo para a Barcelona do Cemitério dos Livros Esquecidos, para nos oferecer uma aventura de intriga, romance e tragédia, através de um labirinto de segredos onde o fascínio pelos livros, a paixão e a amizade se conjugam num relato magistral.

" - Não poderei escrever.
- Não poderá sequer pensar em escrever.
- Quanto tempo?
- Não sei. Nove ou dez meses. Talvez mais, talvez menos. Lamento muito, senhor Martín.
Assenti e pus-me de pé. Tremiam-me as mãos e faltava-me o ar.
- Senhor Martín, compreendo que precise de tempo para pensar em tudo o que lhe estou a dizer, mas é importante que tomemos medidas quanto antes.
- Não posso morrer já, doutor. Ainda não. Tenho coisas para fazer. Depois terei toda a vida para morrer."