Mostrar mensagens com a etiqueta Ler. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Ler. Mostrar todas as mensagens
quarta-feira, 8 de outubro de 2014
quinta-feira, 27 de junho de 2013
Lindo, Profundo, Intenso...
«A certeza de que dou para o mal, pensava Joana. O que seria
então aquela sensação de força contida, pronta para rebentar em violência,
aquela sede de empregá-la de olhos fechados, inteira, com a segurança
irreflectida de uma fera? Não era no mal apenas que alguém podia respirar sem
medo, aceitando o ar e os pulmões? Nem o prazer me daria tanto prazer quanto o
mal, pensava ela surpreendida. Sentia dentro de si um animal perfeito, cheio de
inconsequências, de egoísmo e vitalidade. Lembrou-se do marido que
possivelmente a desconheceria nessa ideia. Tentou relembrar a figura de Otávio.
Mal, porém, sentia que ele saíra de casa, ela se transformava, concentrava-se
em si mesma e, como se apenas tivesse sido interrompida por ele, continuava
lentamente a viver o fio da infância, esquecia-o e movia-se pelos aposentos
profundamente só.»
Poucos livros conseguiram fixar de modo tão nítido as reacções mais íntimas de um ser humano, as suas sensações e descobertas, do que este primeiro romance de Clarice Lispector, então ainda uma adolescente.
"- Não sei...
- «Não sei» não é resposta. Aprenda a encontrar tudo o que existe dentro de voçê.
- Bom é viver..., balbuciou ela. Mau é...
- É?...
- Mau é não viver...
- Morrer? - Indagou ele.
- Não, não... - gemeu ela.
- O quê, então? Diga.
- Mau é não viver, só isso. Morrer já é outra coisa. Morrer é diferente do bom e do mau."
Etiquetas:
Clarice Lispector
,
Ler
quarta-feira, 2 de janeiro de 2013
Gostei muito
Alan e
Irene conheceram-se num orfanato, nos anos 50. Ele tinha sete anos, ela tinha
nove. Eram ambos sensíveis e solitários. Naquele meio hostil, tornaram-se
inseparáveis. Mas a proximidade entre meninos e meninas não era bem vista e,
embora se desdobrassem em cuidados e peripécias, o inevitável aconteceu: a
inocente amizade foi descoberta. Alan foi levado para outro orfanato sem ter,
sequer, direito a um adeus. A Irene disseram que ele fora adoptado e, embora
destroçada, a menina encontrou consolo na ideia de o amigo ter então um lar
carinhoso e feliz. Mas a realidade era bem diferente. Abandonado e só, Alan
queria apenas dizer a Irene que nunca a esqueceria. Por ela, fugiu vezes sem
conta. Foi sempre apanhado e, de cada vez, os castigos foram mais brutais.
Os anos passaram mas o laço entre eles nunca foi quebrado. Nas
suas vidas – frequentemente difíceis, sempre solitárias – sabiam faltar algo.
Sem saberem, frequentaram durante anos as mesmas lojas, o mesmo bairro…
Até que, um dia, quarenta anos depois, Irene e Alan cruzaram-se
casualmente na rua. Ambos souberam de imediato que nada nem ninguém voltaria a
separá-los. Relato doloroso de abandono, crueldade e sobrevivência, Almas Gémeas é,
acima de tudo, uma história espantosa que confirma uma verdade fundamental: o
amor consegue vencer todos os obstáculos.
Subscrever:
Mensagens
(
Atom
)
