Foi recentemente que ouvi falar em procurar o Nirvana. Uma pessoa de quem eu gosto e admiro muito, por tudo o que já viveu e por tudo o que não viveu, disse-me para procurar o meu Nirvana e que quando o encontrasse a levasse até lá. Nesse momento pensei: “Nirvana… aquela banda de rock? Também tenho uma?!”
Na minha ignorância, perguntei então o que era.
Nirvana é o estado mais elevado do ser. As pessoas costumam dizer que atingiram o Nirvana quando se sentem muito felizes, ou então, falam de chegar ao Nirvana como se fosse uma recompensa eterna recebida após a morte. A tal banda de rock Nirvana adoptou o termo com uma certa dose de ironia.
Foi depois de ter ouvido falar no Nirvana que li o livro de Herman Hesse, Siddhartha.
Foi depois de ter ouvido falar no Nirvana que li o livro de Herman Hesse, Siddhartha.
Nirvana
Viver assim: sem ciúmes, sem saudades,
Sem amor, sem anseios, sem carinhos,
Livre de angústias e felicidades,
Deixando pelo chão rosas e espinhos;
Poder viver em todas as idades;
Poder andar por todos os caminhos;
Indiferente ao bem e às falsidades,
Confundindo chacais e passarinhos;
Passear pela terra, e achar tristonho
Tudo que em torno se vê, nela espalhado;
A vida olhar como através de um sonho;
Chegar onde eu cheguei, subir à altura
Onde agora me encontro – é ter chegado
Aos extremos da paz e da ventura!
Antero de Quental, in "Sonetos"









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