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terça-feira, 11 de junho de 2013

Lê-se num abrir e fechar de olhos deixando-nos a pensar de olhos bem fechados





  "São cinco horas da tarde já escura e há muitas formas de descrever um momento. Limitando-nos ao prédio onde mora a nossa história, podemos escolher os gestos e falar deles. Os gestos desse momento: comer, construir, trabalhar, embalar, olhar, limpar, ler, desenhar, fumar, pentear, rezar, sofrer. Podemos também isolar objectos que se movem ou são tocados: uma faca, um tubo de ferro, um computador, um berço, um palhaço de algodão, uma vassoura, folhas escritas, uma escova de cabelos, um lápis de carvão, um cigarro aceso, um crucifixo, uma fotografia antiga.
  Mais difícil é saber o que pensam os moradores. Acontece por vezes pensarem em muitas coisas ao mesmo tempo, ou então alternarem os pensamentos de forma tão rápida que os instantes ficam tremidos, outras vezes são coisas vagas que não encaixam em palavras.
  As palavras são difíceis mas são o que temos. O sofrimento é único para cada homem e para cada mulher, são infinitas as dores e poucas as palavras que lhes dão nome: desgosto, arrependimento, comiseração, tristeza, pesar, mágoa, pena, lástima, aflição, angústia, nojo, desolação, comoção, choque, amargor. Faltam termos e sobram as horas más. Não falta descrever o que se pensa, porque não importa, o sofrimento corre abaixo da cabeça, no corpo que apanha, às voltas no mesmo lugar, que é o centro de tudo, como se chama o centro exacto de nós?"


sábado, 8 de junho de 2013

Quem gostou de ver o filme "Regresso ao Futuro" vai gostar de ler este livro





São Francisco. Elliott, médico apaixonado, nunca se recompôs do desaparecimento de Ilena, a mulher que ele amava, morta há 30 anos. Um dia, uma situação extraordinária permite-lhe recuar no tempo e encontrar o jovem que ele era, há 30 anos atrás. Elliott regressa ao instante decisivo em que um gesto seu pode salvar Ilena e modificar o destino implacável que determinara a sua vida desde então.



 "Esta última revelação fê-lo agitar-se na cadeira. Tudo batia certo: na véspera, adormecera cerca das 22h, para "reaparecer" 30 anos antes cerca das 23h30. A duração da sua viagem foram assim 90 minutos: o período de tempo necessário para se entrar na primeira fase de sono paradoxal.
 Então, era assim que funcionava: durante esse período de actividade cerebral, a substância contida no comprimido provocara nele um regresso ao passado. Tudo aquilo podia parecer uma verdadeira loucura, mas chegara a um período da sua vida onde, à força de já não acreditar em nada, estava pronto a acreditar em tudo."



sábado, 19 de janeiro de 2013

Os Miseráveis


foto by moi-même

Lembrei-me hoje a propósito do filme "Os Miseravéis " de Victor Hugo do tempo em que me escondia no roupeiro de uma Madamme parisiense para devorar os livros dos mais conhecidos escritores franceses. Trabalhei 1 ano em casa desta família que tinha uma biblioteca do tamanho do mundo. E como quem me conhece sabe que sou bastante despachada,  terminava num abrir e fechar de olhos os meus afazeres para me refugiar nos enormes roupeiros que mais pareciam quartos e aí passava horas entretida a ler. Levava os livros da biblioteca, sentava-me no chão alcatifado e escondida entre os bonitos vestidos partia rumo à aventura com escritores como: Victor Hugo, Molière (um dos meus preferidos; ainda cheguei a ir à "Comédie Française" ver duas das suas peças de teatro e adorei!), M. Duras, Simone de Beauvoir, Stendhal, Balzac, Zola, Régine Deforges, Camus, François Mauriac, Flaubert, Baudelaire, Céline, Claude Michelet, Juliette Benzoni, Jacques Prévert e mais alguns que agora não me vêm à memória. Mas consigo sentir a emoção de ler escondida e de nunca ter sido apanhada. Bons tempos!