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quinta-feira, 5 de janeiro de 2012

O saroto



 

Tivemos um burro, chamava-se Saroto porque não tinha rabo. O meu pai já o comprou assim. Foi muito nosso companheiro, era sossegado, talvez porque já não fosse muito novo. Enquanto viveu connosco acompanhava-nos sempre que íamos para o campo. Na altura de lavrar a terra eu ia com o meu pai (por ser a mais velha) para guiar o Saroto enquanto que o meu pai segurava no arado. Tinha que me despachar e ter cuidado para ele não me pisar os calcanhares. Quando íamos buscar lenha íamos sempre montadas nele e ao vir para casa era sempre uma brincadeira, ele carregado com os molhos de lenha e nós de roda dele; quando era para subir as ladeiras dizíamos que se ele tivesse rabo podíamos puxar por ele para nos ajudar a chegar ao cima. No início do Outono, no fim das vindimas tínhamos que ir buscar folhas de videira para ele comer; levava-mos uns sacos de lona para encher. Da primeira vez foi muito fácil, demora-mos talvez uma meia hora a ir e vir com os sacos cheios. Ao chegar-mos a casa o meu pai olhou-nos com espanto e disse que tinha sido rápido mas ao pegar num dos sacos começou a calcar as folhas que ficaram em nada (como quando se coze nabiças ou espinafres). Tivemos que pegar nos sacos e voltar para a vinha, quando regressamos já tinha caído a noite.

segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

Quero um cão







Quando a minha filha mais velha tinha 3 anos (há 12 anos atrás) pediu-me muito um cão e eu disse sempre que não. Um dia ela estava muito triste e eu perguntei-lhe:



- O que tens?
- Quero um cão…
- Não! A mãe não gosta de cães.
- Então e gostas de gatos?
(aqui pensei que ela fosse pedir um animal que eu gostasse e resolvi dizer que não)
- Não.
- E de galinhas?
- Também não.
-E de coelhos?
- Não.
- E de burros, gostas?
(aqui dei um salto e pensei que estava a traumatizar a minha filha, de certeza que ela não me ia pedir um burro)
- Sim, gosto de burros.


Ela abraçou-me e disse “oh mãezinha, vês! Então compras um burro pro  teu quarto e um cão pro meu!”