Existe
sempre uma primeira vez para tudo o que fazemos ao longo das
nossas vidas:
- Primeiro
sorriso
- Primeiros
passos
- Primeiro
tombo (queda)
- Primeiro
aniversário
- Primeiro
dia de escola
- Primeiro
amigo
- Primeiro beijo
- Primeiro
castigo
- Primeiro namorado
- Primeiro
trabalho
- Primeiro
filho
- E por aí
adiante
Hoje, na
minha vida, é a primeira vez que o meu pai faz anos sem estar cá!
É muito
estranho. Sinto-me um bocado desnorteada; com muita vontade de agarrar no
telefone como sempre fiz, nas alturas em que não ia a Martim passar os anos
dele, e perguntar-lhe se está bem; o que é que a mãe lhe vai fazer de almoço;
se lhe vai comprar um bolo; e quase que exijo ouvi-lo do outro lado a responder
que sim, que não, a assobiar (ele tinha um assobio próprio p’ra dizer “sem
dúvida nenhuma”). Como é que posso arrancar esta vontade galopante de lhe falar
que cresce em mim e não consigo controlar?! Como é que faço?! Socorro! Alguém
que me diga.
“Talvez a
morte tenha mais segredos para nos revelar do que a vida.”
